Ponto de vista


Não sou homofóbico


Carlos Apolinario* Apresentei à Câmara Municipal de São Paulo um projeto de lei que cria em São Paulo O Dia do Orgulho Heterossexual. A proposta teve repercussão e, embora não seja prioridade do meu mandato, é importante deixar claro meu ponto de vista.


É verdade que tenho o conceito de que a família original é composta de pessoas do sexo oposto, para procriação e aumento da raça humana. Porém, como cristão, aprendi desde criança que o bem mais precioso que Deus nos deu foi o livre-arbítrio. Quero dizer: cada pessoa é dona da sua vida e, portanto, do seu corpo. Não me cabe julgar as pessoas por suas preferências sexuais, pois não sou homofóbico.Tive uma empresa de telemarketing e lá trabalharam dois homossexuais, que inclusive tinham funções de chefia. Na minha campanha ao governo do Estado, meu maquiador era homossexual e o meu atual cabeleireiro também é homossexual. Nem por isso deixei de considerá-los bons profissionais. Mesmo tendo os meus conceitos, o que tenho discutido não é a questão humana do homossexual e sim a exposição que muitos procuram ter. Sem desrespeitar os homossexuais, pergunto:1) É preciso, para ser gay, colocar uma camiseta com a inscrição no peito: Sou gay?
2) É preciso ir a um canal de tevê ou a uma revista e dizer: Sou gay?
3) É preciso, para ser gay, ir a locais públicos e dar beijo na boca?
4) Para ser gay, é preciso fazer uma declaração pública: Sou gay?É importante ficar claro que defendo limite de exposição tanto para héteros quanto para homossexuais. Eu não teria nenhum problema de conviver em meu prédio com homossexuais, mas não gostaria de ver na piscina coletiva eles se agarrando e se beijando. Assim como não acharia correto que eu e minha mulher, que somos casados há 35 anos, ficássemos em locais públicos nos agarrando e nos beijando. Tenho certeza de que, se os gays e os héteros tiverem um comportamento público adequado com a nossa sociedade e a nossa cultura, eles não enfrentarão nenhum problema.*Carlos Apolinario é vereador em São Paulo. Foi três vezes deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, governador do Estado por dez dias e deputado federal.


Carlos Apolinario

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