Ponto de vista


Parada não deve ser na Paulista


No dia 3 de abril de 2010, o "Jornal da Tarde" se posicionou a respeito do projeto de lei número 98/2010, de Carlos Apolinario, que proíbe a realização de manifestações que prejudiquem a livre circulação de veículos na avenida Paulista. O jornal apoia o projeto. Veja a íntegra do editorial - artigo que representa a opinião do "Jornal da Tarde":


"Na longa luta para livrar a Avenida Paulista de manifestações e eventos, importantes avanços já foram conseguidos, como a transferência para o Campo de Marte das comemorações do 1.º de Maio e da Marcha para Jesus. Mas ficou faltando tirar dali a Parada Gay, um evento que reuniu no ano passado uma multidão calculada em mais de 2 milhões de pessoas e, como é inevitável em tais casos, prejudicou a vida dos que moram nas imediações e daqueles que buscam serviços ali localizados, sem falar nos transtornos para o trânsito.Por isso, tem toda a razão de ser o projeto de lei apresentado à Câmara Municipal pelo vereador Carlos Apolinário (DEM), que proíbe a realização da Parada naquela via. Seu argumento, segundo o qual a Parada pode muito bem ser realizada no Campo de Marte, a exemplo dos eventos acima citados, é irrespondível. Se for mantida uma exceção para ela, em pouco tempo os organizadores de outros grandes eventos reivindicarão o mesmo privilégio e não haverá como negar o seu pedido.A Parada Gay, alegam os defensores de sua realização na Paulista, é um dos eventos que mais dão retorno financeiro à cidade, ao lado da Fórmula 1 e do carnaval. Estima-se que este ano ela movimente R$ 190 milhões no comércio e na rede hoteleira. Para Percival Maricato, diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o turismo paulistano perderá se a Parada tiver de mudar de lugar. "O problema não é a Paulista. O problema central é a intolerância de um vereador que demonstra preconceito com quem não é da sua religião", diz ele. Independentemente da existência ou não do alegado preconceito de Apolinário e de sua defesa de grupos evangélicos - que o levou recentemente a liderar a aprovação de um lamentável projeto que na prática inviabiliza o Programa de Silêncio Urbano (Psiu), quando ele mereceu as pesadas críticas de que foi alvo -, neste caso ele está certo.E o problema é, sim, a Paulista. Pelas suas características, ela não comporta manifestações e grandes eventos, sejam eles quais forem. Ela faz parte de um grupo de vias nas quais qualquer paralisação acarreta efeitos desastrosos para o trânsito numa grande área. O mais grave é que, além disso, na Paulista e em suas imediações se localizam - como não se cansam de lembrar os contrários às manifestações - vários hospitais, entre os quais o das Clínicas, do Coração, Santa Catarina, Oswaldo Cruz, Sírio-Libanês, Nove de Julho e Beneficência Portuguesa.Só não vê quem não quer que a paralisação da Paulista prejudica seriamente o acesso de pacientes e médicos a esses hospitais, colocando em risco suas vidas. Essas vidas e esses transtornos são menos importantes que o turismo que, aliás, não perderia nada com a realização da Parada em outro local?"


Carlos Apolinario

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